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terça-feira, outubro 14

1. As primeiras horas da noite são as horas mais sociais em África. Ninguém quer estar sózinho. Estar só? isso é uma desgraça, uma maldição!Até as crianças ficam acordadas até tarde. todos nos entregamos ao mundo dos sonhos - a familia toda,o clã, a tribo.

2. Muitas vezes é dificíl para o indígna e o forasteiro encontrar uma linguagem comum ao contemplar o mesmo panorama. O forasteiro recorre a uma lente de grande alcance, que dá uma imagem distante e redutora, mas que, em compensação, mostra claramente a linha do horizonte, enquanto que o seu interlocutor indígena usa sistematicamente uma teleobjectiva ou mesmo um telescópio, que amplia tudo até ao mais nfimo pormenor.



1 e 2 in Ébano Febre Africana, Ryszard Kapuscinski, Campo de Letras, 2001
1. Adolf Eichmann "Devo sublinhar que, no sentido jurídico, não me sinto culpado" e "considero o assassínio, a extinção de judeus, um dos piores actos criminosos da história da humanidade".

2. Toda a consciência do caríz assassino do acto é eliminada. Desta maneira, o interior do terrorista torna-se tão inalcansável como o mundo que o produziu.



3. Se apenas nos for permitido amarmo-nos se formos obedientes, sentimo-nos como gente de bem se matarmos nos outros a desobediência que, em tempos idos, fora nossa. Precisamos de inimigos, não só para nos defendermos do nosso velho inimigo interior mas também para descarregarmos a crecente raiva acumulada.

4. Amamos a fachada "decente" e não o EU que poderiamos ser.

1,2,3 e 4 in A Loucura da Normalidade, Arno Gruen, Assírio&Alvim, 1995
1. Num mundo cada vez mais interligado e de complexidade crescente, por vezes é preciso muito pouco para derrubar um sistema. Um par de meias é "desmanchado" se se perder uma meia. A tendência para as meias perderem os seus pares é certamente a Lei de Murphy com uma vingança!.



2. Vamos assumir que, contrariamente aos factos, brancos e negros têm posições de igual importância e influência. Suponha ainda que cerca de 10% de cada grupo é recista e que o país está residencial e profissionalmente integrado. Dadas estas hipóteses irrealistas, não é dificil demonstrar que, umas vez que os negros compreendem aproximadamente 13% da população e os brancos os restantes 87%, os negros ainda sofrerão desproporcionalmente de racismo. A hipótese de um branco encontrar um racista negro num dado encontro com outra pessoa é de 1,3% (10% de 13%), ao passo que a probabilidade de, num dado encontro, acontecer o mesmo a um negro é de 8,7% (10% de 87%). Esta disparidade torna-se mais pronunciada quando o número de encontros aumenta. Se um branco encontra 5 pessoas, a probabilidade de encontrar pelo menos um racista é de 6,3%, ao passo que o número médio de racistas que encontrará é de 0,07%. Pelo contrário se um negro encontra 5 pessoas, a probabilidade de encontrar pelo menos um racista é de 36,6%, enquanto o número médio de racista que encontrará é de 0,44%. Se um branco encontra 25 pessoas a probabilidade de encontrar pelo menos um racista sobe para 27,9%, ao passo que o número médio de racista que encontrará sobe para 0,33%. Se um negro encontra 25 pessoas, a probabilidade de encontrar pelo menos um racista sobe para 89,7%, ao passo que o número médio de racista que encontrará sobe para 2,18%.

A conclusão é que o estatuto de minoria só por si pode dificultar a existência ou a manutênção de oportunidades iguais. De facto, se as condições idealizadas atrás mencionadas se mantiverem, mas se apenas 2% dos brancos e 10% dos negros forem racistas, os negros continuam a encontrar mais racismo do que os brancos.

1 e 2 in Era uma vez o número, John Allen Paulos, Editorial Bizâncio, 2002

sexta-feira, agosto 29

Hoje perguntou: não sei se estás diferente: mudas-te o aspecto e inovas-te o penteado ? Perguntei. Onde estão as diferenças? Não podia ser: inovas-te o aspecto e mudas-te o penteado? Perguntas ou afirmas.

quarta-feira, agosto 20

1. como se tudo parasse. Assim.{a ideia agora é de um imenso espaço sem nada. O silêncio de uma linguagem falada.}
O corpo deixou-me sem nada. Dizem que são bombas as coisas sobre as quais nada sabemos. Esforço que precisa de luz. Uns morrem assim. Como se a inclusão da côr e da luz fosse apenas possí­vel no clique do stop da história. Porque eles partiram, eu fico, aqui, às escuras.

2. Não respondas. Pouco importa onde estão. Inteiros, sentados, lendo a sua história-notícia. Afinal a extensão da guerra onde fica?


"concretamente na geografia que nos é quotidianamente mais familiar, poderiamos falar,em primeiro lugar, de itinerários, eixos ou caminhos traçados pelos homens e que conduzem de um lugar para o outro e, em segundo, de cruzamentos e praças onde os homens se cruzam, encontram e reunem, cujo desenho atinge, por vezes, vastas proporções, a fim de satisfazer, nomeadamente os mercados, as necessidades de troca económica e, por fim, de centros mais ou menos monumentais, quer religiosos quer politicos, construidos por alguns homens e que, por seu turno, definem um espaço e fronteiras para além dos quais outros homens se definem enquanto outros, face a outros centros e outros espaços"

In Não Lugares - introdução a uma antropologia da sobremodernidade, Marc Augé, Bertrand Editora, 1994


terça-feira, agosto 19

Agradecia informações sobre o último trabalho escrito sobre este ser.

segunda-feira, agosto 18

Prejudica gravemente a saúde





quarta-feira, agosto 13

"Uso hoje a palavra "desmerecer", quer dizer, na minha idade, em virtude de certas confidências ulteriores quemeforam feitas, e sem lheatribuir o sentido moral convencional. Não obstante, a libetinagem é defacto o pior inimigo de um tal amor electivo, tornando-se impossibel qualquer sublimação. Quem, debruçado sobre estaencosta das suas recordações, vê comprimir-se em cotejo anónimo as centenas, se não milhares, de mulheres com quem "fez amor", só pode ter do amor electivo - e aqui reposto-me ao testemunho dos interessados - pouca e muito vaga nostalgia. Este amor- sabe-o bem- perdeu-se irremediavelmente."

In André Breton, Entrevistas, Edições Salamandra, 1994

sexta-feira, agosto 8

1. Quando o meu terceiro tio desapareceu precisei de um corpo, com entrada imediata.


2. Na nossa terra as pessoas costumam descer a estrada que te leva ao rio com as mãos fechadas. Circulam na direcção dos peixes e perguntam-me se este cheiro significa o início da pele. Passam cinco anos nesta posição. Talvez hoje ainda chova e possas identificar as pedras.Descalço. Não como costumas fazer: transportas as pedras em conjuntos de três para junto da árvore e deixas que cada uma se encontre com outra no final da encosta-refugio. Dizes-me que a dificuldade de se juntarem as três num espaço que não ultrapasse um círculo cujo diâmetro representa o palmo da minha mão, está associada à intensidade e frequência das chuvas e à natureza da terra do rio.


3. Identificar significa para ti transportar as pedras do círculo para a nossa casa. Identificar significa para ti transportar para casa a água da chuva e a terra do rio que permitem serem essas as pedras escolhidas e não outras. Não tenho a certeza de o meu tio procurar os homens mais próximos por serem aqueles que estão mais perto de mim. De qualquer das formas o transporte é sempre uma actividade solitária.


4. Tinha dificuldade em olhar um espaço tão grande como aquele, a distância que o meu tio percorria do seu quarto ao meu era normalmente pequena e dependia da maior ou menor complexidade das conversas que mantinha no dia anterior com a minha mãe. Como as luzes que atravessam os personagens e os informam sobre a utilização do corpo também o rigor da sombra disponível da nossa casa permitia reduzir a minha estratégia de recolha e análise das palavras com maior circulação na nossa casa. Nesse dia a distribuição geográfica dos sentidos deixou de existir. Vejo com precisão a rapidez do corpo eliminar o som do que dizemos de forma a facilitar o seu próprio fabrico. Os olhos do meu tio exigem que eu feche a porta.


5. Para desenvolver a capacidade de vigiar a pele queimada dentro da sua fronteira seleccionava mecanismos de controlo progressivamente mais rigorosos que permitissem unir o rasgado ao vivido de uma forma eficiente. Os momentos de recolha revelavam a escassez de partilha e a dificuldade de viver repetidamente sujeito ao uso das mãos na condução das nossas conversas. Sabes, até mesmo a forma como me abraçava não era mais do que esconder a vontade de assinalar o fim do primeiro ciclo. O primeiro ciclo não foram as preferências, as infâncias, os segredos. O primeiro ciclo terminava no imenso vazio que percorria o que representávamos na nossa distância. Recolher a palavra silêncio e perceber o seu significado era o nosso grande objectivo.


6. Mais um cigarro. Posso?
1.

"O que cega é o encerramento numa cultura. O conhecimento de outra cultura tem portanto o mérito de realtivizar qualaquer a desão a uma única cultura. Esta relativização não tem nada a ver, muito pelo contrário, com o questionamento do racionalismo e da ciência, mesmo tendo em conta que aquilo que tomamos por ciência nem sempre o é. A relativização de uma cultura por outra ( a mudança de quadro de referência) é, no fundo, um exercício anticulturalista que respeita acima de tudo, em cada cultura, o poder que ela tem de destabilizar as outras"

" Fazer o elogio do esquecimento não é vilipendiar a memória, e ainda menos ignorar a recordação, mas reconhecer o trabalho do esquecimento na primeira e assinalr a sua presença na segunda"

In "As formas do Esquecimento", Marc Augé, Edições Íman, 2001

2.

"O infinito, significa mesmo a identidade do pequeno e do grande, ai dentidade dos extremos. Quando a representação encontra em si o infinito, ela aparece como uma representação orgica e já não orgânica: ela descobre em si o tumulto, a inquietude e a paixão sob a calma aparente ou sob os limites do organizado"

In "Diferença e Repetição", Gilles Deleuze, Edição Relógio D´Água, 2000

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